O ano de 2025 tem sido positivo para muitos moçambicanos, onde algumas pessoas conquistaram bens materiais entre outros, mas, para o Ministério do Interior, este tem sido um dos períodos mais sombrios, marcado por uma sequência de assassinatos de agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e da Unidade de Intervenção Rápida (UiR).
Tudo começou a 11 de Junho, na cidade da Matola, concretamente em Nkobe, quando um agente da UiR foi assassinado dentro da sua viatura Mahindra branca. O agente, identificado como Carlitos Zandamela, foi atingido com mais de 50 tiros disparados por indivíduos que circulavam em duas viaturas. A sua morte causou grande “barulho” e pedidos de esclarecimento, mas, até ao momento, ninguém foi detido e o caso permanece sem resposta.
Três semanas depois, a 2 de Julho, a tranquilidade voltou a ser abalada. Na zona da Manduca, também na Matola, dois agentes foram mortos numa manhã aparentemente calma. Mais de 50 tiros foram disparados contra as vítimas, num crime com contornos idênticos ao primeiro.
A 9 de Setembro, já na entrada do verão, um homem conhecido por Mosquito foi igualmente morto a tiro, dentro da sua viatura, à porta de casa, na cidade da Matola. Mais uma vez, nenhum suspeito foi identificado ou detido, e o caso mantém-se sem pistas.
No dia 1 de Outubro, um agente do SERNIC foi alvo de um ataque armado. Conseguiu escapar com vida, mas o seu carro ficou danificado e o ataque resultou na morte de inocentes e um ferido. Até hoje, o caso também não foi esclarecido.
Quando tudo parecia ter acalmado, a 23 de Outubro, a comandante distrital de Marracuene foi assassinada a tiro quando seguia na sua Mahindra, na Estrada Circular. Até agora, não há informações sobre os autores do crime. A PRM, apenas esclareceu que já está a investigar.
A pergunta que não quer calar é: quem está a matar os agentes da PRM, UiR e SERNIC? São já cinco agentes mortos e cinco crimes sem qualquer esclarecimento.
Em entrevista à TV Sucesso, o jurista Sérgio Massingue afirmou que a forma como os agentes têm sido silenciados “pode representar uma mensagem”, e defende ainda que se trata de “uma possível perseguição dentro da própria corporação”.
Por sua vez, o jurista Sérgio Matsinhe considera que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve agir com urgência. Além disso, questiona o uso de armas de uso exclusivo da PRM nestes crimes e o facto de as viaturas utilizadas pelos criminosos não terem matrícula, o que, segundo ele, “é extremamente preocupante e estranho”.
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