“Mamani” Machava, ou simplesmente Mãe Machava, como prefere ser chamada, tem 26 anos e é mãe da pequena Pércia, que vive os seus primeiros oito meses de vida em situação de rua.
Natural da província de Gaza, Mãe Machava decidiu, em 2021, aceitar uma proposta para trabalhar como empregada doméstica na cidade de Maputo. Dois anos depois, a má convivência com o patronato obrigou-a a despedir-se e ir tentar outras oportunidades.
Sem sucesso, viu-se sem condições de continuar a pagar a renda da casa onde arrendava, tendo recorrido à entrada de alguns estabelecimentos comerciais, agências bancárias e ruínas em algumas avenidas da cidade das acácias para fixar o seu novo “lar”.
“Vivo na rua já faz três anos, e nesse período conheci o meu namorado que também é morador de rua, fiquei grávida, tive uma gestação tranquila e tive o meu bebé no Hospital Central de Maputo”, disse.
Instalada na avenida Mao Tsé-Tung, contou que, desde que se tornou mãe, os dias e noites não têm sido fáceis. Tal como justifica, não tem como um bebé estar saudável a viver naquelas condições.
“A minha filha está com uma tosse que não passa, devido às baixas temperaturas que se fazem sentir na calada da noite. Tenho ido ao hospital, mas a falta de condições para comprar os medicamentos tem sido o maior problema para nós”, lamentou, acrescentando que depende da boa vontade de moradores próximos que se comovem com a suas dificuldades e fazem doações.
“Como não me alimento de forma regular, amamentar a minha bebé não tem sido muito fácil. Por isso, ela come tudo aquilo que eu também como, sei que para a idade dela não é o ideal, mas não vejo alternativa”.
Entretanto, Mãe Machava deseja junto do seu parceiro sair daquelas condições para proporcionar a sua filha um crescimento saudável, porque, conforme assume, nenhuma criança merece crescer naquelas condições. (Jornal Domingo).